Quando o cinema surgiu, ainda não havia sido fixado um código próprio e este encontrava-se misturado a outras formas culturais: cartuns, revistas ilustradas e cartões-postais. Segundo alguns historiadores, não existe um único descobridor do cinema, e os aparatos não surgiram em um só lugar. Foram frutos de circunstâncias.Segundo o historiador Andre Gaudrecult, há nas origens do cinema, mostração e a narração. A mostração envolve a cena indireta de fatos, ao passo que a narração envolve a manipulação desses acontecimentos pela atividade constante do narrador. Já o historiador Tom Gumming contribui com os estudos da história do cinema comprovando através de suas pesquisas que o primeiro cinema tinha uma maneira particular de se dirigir ao espectador, apoiando-se no exibicionismo. Não havia habilidades técnicas para contar histórias, mas sim, chamar atenção do espectador de forma direta e invasiva.
Inicialmente, tinha-se os nickleodons, marco inicial da atividade cinematográfica verdadeiramente industrial. A maioria dos filmes eram produzidos em plano único e a duração média dos filmes era de 5 a 10 minutos. Naquele momento, os espectadores estavam interessados nos filmes como forma de espetáculo visual. A maneira de se contar as histórias não chamava atenção. Foi com a explosão dos nickleodons que forçou-se a reorganização da produção, provocando mudanças nos aspectos da arte cinematográfica, ainda uma inovação fantásticas para todos, dos produtores culturais do período aos espectadores.
Foto de um Nicklodeon, USA



Cinema falado
©Ricardo Labuto Gondim
Dizendo que o público havia deixado de “escutar os filmes”, o diretor Joseph Mankiewicz (1909 – 1993) exilou-se de sua própria arte, vinte anos antes de ser irremediavelmente aposentado pela morte. Entrevistado por um dos gigantes da crítica, o francês Michel Ciment (Hollywood, Editora Brasiliense, 1988), Mankiewicz justificou o ócio: “Se me apresentassem uma história que me interessasse, eu estaria disposto a levá-la à tela sob a condição de que o público estivesse disposto a ouvir tanto o diálogo quanto a olhar a imagem, o que eu duvido”.
Não fosse a limitação do espaço, a questão se prestaria a algumas erudições. Poderíamos, por exemplo, opor a obra do “cineasta da palavra” à do “cineasta da imagem”, Alfred Hitchcock. Poderíamos tecer o paralelo entre o auto-exílio artístico de Mankiewicz – que nos privou de boas obras – e o do compositor Rossini – que nos poupou delas. Poderíamos falar da palavra, do logos, que ganha uma nova dimensão com a IX Sinfonia de Beethoven. Poderíamos discutir o comportamento do público na civilização dos ícones, grafismos e imagens. E poderíamos discutir a sofisticação narrativa do “cinema mudo” que, de tão perfeita, fez com que muitos cineastas desprezassem o advento do som ao custo da própria ruína. Poderíamos. Mas vamos deixar que três obras-primas totalmente baseadas na palavra – ai de mim!, que odeio trocadilhos – falem por si mesmas: A Malvada, do próprio Mankiewicz; Festim Diabólico, de Alfred Hitchcock; e Grilhões do Passado, de Orson Welles.
| A era do cinema colorido | |
Technicolor, o cinema de cores vivas | |
Por Claudia Durán
Em 1895 os irmãos Lumière criam uma das maiores e melhores invenções de todos os tempos: o cinema. Nos seus primórdios, ele divertia platéias ao mostrar o cotidiano das cidades, mesmo com imagens em preto e branco e sem som. Ao entrar para o mundo da ficção, as tentativas de dar cor para aquelas imagens tornaram-se mais constantes.
Um dos primeiros experimentos foi o tingimento à mão. Até a década de 20, o sépia, o verde e o azul eram usados, de maneira isolada, para enfeitar os filmes americanos, europeus e até brasileiros.
Quando o cinema ganhou o som, os experimentos para se filmar em cores se intensificaram. As primeiras tentativas se fizeram por meio de emprego de filtros coloridos. Cada cena era filmada duas ou mais vezes, cada vez com um filtro de uma cor, ou por várias câmeras simultâneas, uma com cada filtro. O filme bicolor foi muito empregado em Hollywood principalmente em trechos de musicais.
Na década de 30 surge a empresa Technicolor, lançando um tipo de película que filmava em 3 cores, juntamente com uma câmera de 3 elementos, dando maior realismo às produções nas telas.
O processo acontecia da seguinte forma: ao invés de um rolo de filme, a luz se proliferava por 3, nas cores primárias, que projetadas uma sobre as outras, causavam a " impressão" da cor. Na época, se reclamava da ausência de sobretons neste tipo de película, mas com os aprimoramentos, o Technicolor não deu mais ênfase aos tons brilhantes.
Para provar que o invento era mesmo incontestável, o fundador da Technicolor, Herbert T. Kalmus, procurou animadores de desenhos e encontrou nada menos que Walt Disney para o teste. Branca de Neve e o Sete Anões foi o primeiro desenho colorido produzido neste sistema, e o primeiro filme Technicolor lançado comercialmente foi "Vaidade e Beleza" de Rouben Mamoulian, de 1935.
A partir daí, o processo de filmar em cores ganhou o mundo com a criação de outras empresas como a Agfacolor, na Alemanha; a Gevacolor, na Bélgica e a Ferraniacolor, na Itália, ameaçando a hegemonia do processo americano.
No pós-guerra aparece um rival de peso para o cinema: a televisão. A solução para não perder a platéia foi aperfeiçoar o colorido e aumentar o tamanho da tela. Surgiram também câmeras mais leves, complexas e eficientes exigidas pelos processos de filmagem e exibição. Isto levou também à invenção de outros tipos de película para se filmar em cores.
Entre as décadas de 40 e 50, um dos gêneros de filme que mais se destacou foi o musical, graças ao impacto visual de cores e as coreografias. Gênios como Fred Astaire, Gene Kelly e Maria Montez, que na época foi considerada a "Rainha do Technicolor", foram grandes representantes desta era. Sem esquecer, é claro, de Carmem Miranda, que fez as cores vibrarem de um jeito bem brasileiro.
Uma curiosidade sobre o Technicolor era a presença de "cores vivas": as pessoas que antes estavam acostumadas a ver seus astros e divas nos velhos filmes preto e branco, agora viam uma deslumbrante variedade de tipos: loiras, morenas e ruivas. Aproveitando este contexto, a indústria Wella lançou no mercado o "Koleston", o primeiro creme colorante do mundo. Foram vendidos 5 milhões de tubos. Koleston se tornou um sucesso mundial.

